Revista Literária CNSA

Um olhar sobre da segunda metade da literatura do século XIX do alunos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Biografia de Alphonsus de Guimarens

Larissa Nascimento dos Santos

2º ano A

            Afonso Henriques da Costa Guimarães era filho de um português e uma brasileira. Estudou direito em São Paulo, onde concluiu o curso em 1895. Voltou para Minas Gerais para exercer a função de juiz durante toda a vida, primeiro em Conceição do Serro, depois em Mariana, onde viveu até a morte, com sua esposa e quatorze filhos.

          Fez parte do grupo simbolista de São Paulo e sua poesia é marcada pela espiritualidade, pois sua obra apresenta uma atmosfera de religiosidade, sonho e mistério. Por isso, Alphonsus de Guimaraens é neorromântico e simbolista ao mesmo tempo, já que essas duas escolas possuem características semelhantes. Oscila, assim, entre os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural, como se toda a sua poesia se fizesse em variações de um mesmo tema. Mas a evolução da linguagem é permanente e a tendência a um barroco discreto

           A obra de Alphonsus de Guimaraens é toda marcada por uma profunda suavidade e lirismo (exaltação dos sentimentos pessoais), com uma linguagem simples e um ritmo bem musical, cheio de aliterações (figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes em um verso ou em uma frase) e sinestesias (relação de planos sensoriais diferentes).

      Por ter uma formação mais clássica e uma influência de cunho medieval, há o emprego constante das redondilhas, além dos versos alexandrinos e decassílabos, com ênfase no soneto, forma pela qual o poeta domina com grande êxito. O autor em si foi sonho e vida, melancolia e tristeza, foi o sofrimento e a resignação. Foi misticismo, desalento, angústia e oração.

           Pode-se considerar sua principal influência sua paixão por Constança na qual morreu vítima de tuberculose aos 17 anos (também apresentada em alguns lugares como Constanza), uma prima distante e sua noiva na qual morreu em vésperas do casamento, filha do romancista Bernardo Guimarães, autor de “A escrava Isaura”, na qual morreu logo depois referida como “a que se morreu silente e fria”.  A presença da amada perdida está sempre presente, retratada aos moldes medievais: uma divindade intocável, perfeita, livre de qualquer toque de erotismo e somente acessível através da morte.

            Por várias vezes ela é confundida com a pura imagem da Virgem Maria, de quem o poeta era profundamente devoto. Sua obra, aliás, é considerada a mais mística da literatura brasileira. A morte é um fator importante dentro de sua obra, o que o aproxima muito dos poetas românticos. Há a aceitação, a simpatia e o desejo pela morte, já que ela é o único caminho para se chegar à amada.

            Ela é o destino último, insuperável, em contraste com a miséria do mundo real. Cria-se assim um ciclo de místico, amor idealizado e obsessão, onde a melancolia é sempre um fator marcante, aliada aos sonhos e às amarguras pessoais do poeta, muitas vezes refletidas pelos traumas do passado. É comum encontrarmos em suas obras, várias citações sobre este fato. Como exemplo, podemos citar o soneto:

Hão de chorar por ela os cinamomos

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — “Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria… ”
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos…
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — “Por que não vieram juntos?”

           Outra temática observada em suas poesias continua sendo a morte, porém como forma de evasão e de fuga do plano terreno, pode-se encontrar com facilidade referências as cores roxa e negra, ao corpo morto da amada. Essas características foram herdadas dos ultrarromânticos. Alphonsus frequentemente insere citações mortuárias.

Vale ressaltar que o amor é abordado de forma platônica e idealizante, pois não há lugar para o sensualismo e erotismo como já relatado anteriormente. A figura feminina parece de forma divinizada, distante, fria e inalcançável. Como na estrofe de um de seus poemas:

“Hirta e branca”… Repousa a sua áurea cabeça

Numa almofada de cetim bordada em lírios.

Ei- lá morta afinal como quem adormeça

Aqui para sofrer. “Além-novos martírios.”

           Formalmente, o autor revela influências árcades e renascentistas, sem cair no formalismo parnasiano. O poeta chegou a explorar a redondilha maior, de longa tradição popular, medieval e romântica, sua obra é rica em recursos como a aliteração (figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes em um verso ou em uma frase) e sinestesias (relação de planos sensoriais diferentes).

         Além disso, era um grande admirador de Cruz e Souza o qual também tem sua amada como tema de algum de seus poemas tendo a linguagem herdada do Parnasianismo, é requintada, porém criativa, na medida em que dá ênfase à musicalidade dos versos por intermédio da exploração dos aspectos sonoros dos vocábulos, tendo inclusive, viajado para o Rio de Janeiro, apenas para conhecê-lo.

           Fixou-se em Minas como promotor e depois juiz em Mariana, tendo-se casado e tido catorze filhos. Nascido Afonso Henriques da Costa Guimarães, adotou o nome artístico de Alphonsus de Guimaraens, de acordo com o gosto simbolista por nomes arcaicos. Levou uma vida provinciana, sendo chamado, por isso, de o “Solitário de Mariana”.

         Além destes, Alphonsus de Guimaraens foi influenciado também pelos escritores Verlaine e Mallarmé a qual chegou a traduzir. Nos quais foram por sua vez respectivamente: Verlaine considerado no final do século XIX, pelos críticos como um dos “poetas malditos” e sendo aclamado e eleito em 1894 o “Príncipe dos Poetas”, ao final de uma vida desregrada por Paris, Rethel, Bruxelas e Londres.

           E Mallarmé do qual se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pude resultar em um texto às vezes obscuro.

            Em 1900 passou a exercer a função de jornalista colaborando em “A Gazeta”, de São Paulo. Em 1902 publicou Kyriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens; esta obra o projetou no universo literário, obtendo assim um reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e amigos mais próximos. Em 1903, os cargos de juízes-substitutos foram suprimidos pelo governo do estado, consequentemente Alphonsus perdeu também seu cargo de Juiz, fato que o levou a graves dificuldades financeiras.

         Após recusar um posto de destaque no jornal A Gazeta, Alphonsus foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaboraria seu irmão o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se Juiz Municipal de Mariana-MG, para onde se transferiu com sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901-1944)e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008). O autor faleceu em 15 de julho de 1921 aos 50 anos em Mariana, Minas Gerais.

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