Revista Literária CNSA

Um olhar sobre da segunda metade da literatura do século XIX do alunos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

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Relações da obra de Lima Barreto com a atualidade

Rodolfo Alencar

Na obra Clara dos Anjos, temos um exemplo claro de preconceito racial, devido a Clara ser mulata e ter engravidado de Cassi Jones (um malandro) a família do rapaz a trata como ‘’Apenas mais uma mulatinha que cai na lábia de Cassi’’. Apesar de a obra ter sido concluída no ano da morte de Lima Barreto, ela continua sendo atual, pois apesar do preconceito racial ainda existente em pleno século XXI muito homens engravidam mulheres e fogem da responsabilidade de criar um filho.

E relacionando com a sociedade manauara, o mesmo preconceito sofrido por mulatos e negros acontecia com indígenas, e até hoje, muitos na região sul e sudeste acham que o Amazonas não tem cidades e pessoas civilizadas. O autor Lima Barreto retratava muito bem a questão da ignorância por parte alguns.

Lima Barreto, dizia que os escritores tinham uma função social, ele tinha o espirito de mudança, assim como os escritores que fizeram parte do movimento literário Clube da Madrugada que trouxe o modernismo para o Amazonas em 1954 ( depois de 32 anos de acontecer a semana de arte moderna em São Paulo).

Diálogo entre as obras de Monteiro Lobato e obras literárias do Amazonas

Monteiro Lobato têm em suas obras uma característica bem interessante que está contida em obras de nossa região que é a combinação da ficção com a realidade,exemplo disso é a coleção do “Sítio do Pica-Pau amarelo” que reúne contos de lendas entre eles: Saci,Reinações de narizinho,Caçadas de Pedrinho entre outros,que compartilham de lendas folclóricas que são bem valorizadas no Amazonas.Entre os autores que envolvem características semelhantes em suas obras,temos Gaspar de Carvajal o primeiro grande ficcionista do Amazonas. Seu relato fabuloso acerca das índias guerreiras habitantes das margens do Nhamundá inaugurou, em pleno século XVI, a literatura ficcional,tal relato começa da seguinte forma:

“ são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios….”.

A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo, atemorizando uns, surpreendendo outros, mas maravilhando a todas os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras.Depois disso ganho destaques na Literatura Amazonense de Paulo Jacob (Chuva branca), Márcio Souza (Galvez, o Imperador do Acre) e Milton Atou (Relato de um certo Oriente).

E um exemplo de obra de Monteiro Lobato ficcionista é a do Saci do Sítio do Pica-Pau Amarelo,Nos contos,Pedrinho foi caçar no Capoeirão dos Tucanos, a mata virgem do Sítio do Pica-pau Amarelo, e encontrou um Saci, que lhe contou os segredos da floresta e várias lendas do folclore brasileiro, como a Mula-sem-cabeça, o Boitatá, o Lobisomem, o Negrinho do Pastoreio e muitas outras coisas. Juntos, eles salvaram Narizinho do feitiço da Cuca, Pedrinho quase ficou cego com a Iara e a Cuca morreu de medo dos pingos d’água.A lenda se espalhou por todo o Brasil quando as histórias de Monteiro Lobato ganharam as telas da televisão, transformando-se em seriado, transmitido nas décadas de 1970-80. O saci também aparece em várias momentos das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

Por Dione Coêlho

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como
saudosa lembrança estas memórias póstumas”

Machado apresenta uma história repleta de digressões e de maneira irreverente e irônica. O personagem principal, Brás, se mostra descompromissado com a sociedade e à medida que narra sua vida revela não só os
motivos secretos de seu comportamento como também põe indiscretamente as hipocrisias e vaidades da sociedade.

Impregnado de um pessimismo, característica machadiana, onde Brás Cubas vê a via como um campo de batalha e os homens como seres corruptos, hipócritas, egoístas e oportunistas, mesmo gozando dos
privilégios dos bem-nascidos do país, em um trecho da obra demonstra a visão amarga da existência, “não tive filhos, não transmiti nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.

O autor expõe muitos problemas da sociedade da época, como característica romancista tem a parte psicológica dos personagens fazendo críticas à sociedade a partir dos comportamentos dos
personagens. Alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas que existem até hoje em nosso país e inclusive em nossa cidade, como as contradições que ainda estão presentes.

 “É o drama da irremediável tolice humana. São as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas, que tudo tentou e nada deixou. A vida moral e afetiva é superada pela existência
biologicamente satisfeita, e as personagens se acomodam cinicamente ao erro.”

Curiosidades:

  • O romance marcou o início do Realismo no Brasil;
  • Considerado o primeiro romance moderno do Brasil;
  • Apresenta um defunto-autor que narra detalhes de seu velório;
  • Ganhou versão em HQ ;
  • A obra já teve três versões cinematográficas. A primeira, rodada em modo completamente experimental, dirigida por Fernando Cony Campos em 1967, chamava-se Viagem ao Fim do Mundo. A segunda, em 1985, já apresenta um caráter estético mais ousado e foi filmada por Julio Bressane, com Luiz Fernando Guimarães no papel de Brás Cubas. E em 2001, surgiu uma nova produção, embora tivesse sido filmada nos anos 90: essa terceira versão, Memórias Póstumas, foi mais fiel à
    obra, tendo sido dirigida por André Klotzel, com Reginaldo Faria atuando como Brás Cubas após os 60 anos até ser defunto e Petrônio Gontijo sendo Brás Cubas na sua juventude.
  • O livro também recebeu uma versão em paródia, Memórias Desmortas de Brás Cubas, de Pedro Vieira, no qual o emplastro transforma Brás Cubas em um zumbi.

A LITERATURA COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA

Por EDUARDO VITAL

 

Não se pode estudar a literatura amazonense dissociada da literatura da região amazônica, como de resto, há de buscar-se relação com a literatura brasileira. Berço de diversos autores renomados, o Amazonas é mostrado de diversas formas em premiadas obras literárias que correm o mundo.

Muitos acreditam que é necessário ler mais para saber mais, assim encaixa-se a frase de Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”. Muitas de suas obras, direcionadas para o público infanto – juvenil, tratam do imaginário, da aventura, de desbravar o desconhecido. Isso fica bem claro em “Reinações de Narizinho” e “Caçadas de Pedrinho”, onde tais personagens conseguem encontrar todo um mundo no quintal de sua casa, sempre com muita imaginação e criatividade.

Outras de suas obras e personagens, tais como “Jeca Tatu”, são de cunho social, de natureza crítica e denunciam questões como o contexto arcaico do universo rural e o descaso com doenças como o amarelão, então sério problema de saúde pública. Jeca é a imagem legado ao abandono pelo Estado, à mercê de enfermidades típicas dos países atrasados, da miséria e do atraso econômico. Condição nada romântica e utópica, como muitos escritores pretendiam moldar o caboclo brasileiro, nesta mesma época.

Monteiro Lobato mostra como atitudes básicas podem mudar a vida de um indivíduo. Ao ser examinado por um médico, Jeca muda seus hábitos, mudando os hábitos muda de vida. Ele se cura, volta a trabalhar, reduz a bebida, sua pequena plantação prospera e o trabalhador se torna um homem honrado pelas outras pessoas. É assim que Monteiro Lobato denuncia a precária situação do trabalhador rural; ele revela que medidas simples poderiam transformar este cenário sombrio. Este personagem se torna o símbolo do brasileiro que vive no campo.

Em nossa região não é tão diferente assim. Vários fatos nos mostram que muitas vezes o povo é jogado          à própria sorte. A questão do saneamento básico e da saúde pública melhorou nos últimos anos, porém milhares ainda não contam com tais serviços, morrendo de doenças que em outros lugares não matam mais.

Entra aí a questão da informação e conhecimento, puxando diretamente a leitura e a literatura. Ao ter conhecimento de sua situação, o indivíduo irá se mobilizar em busca de melhores condições, o que felizmente tem sido muito mais praticado, e resultados positivos surgiram.

Vale lembrar também que o que fazemos hoje estará escrito no futuro, consequentemente, a literatura mostrará a história e estaremos encarregados de contá-la aos nossos filhos e netos.

Por isso quanto mais conhecimento obtivermos, mais sábias serão nossas decisões.

A loucura

Brenda Alencar de Oliveira

A vida imita a arte e, como Ismália, no poema de Alphonsus de Guimaraens nos deparamos com uma realidade semelhante em nossa caótica sociedade manauara, não somente aqui mais em demais localidades a cada dia, levando seus cidadãos à loucura. A “loucura” de Ismália é também comparada a um sonho: “No sonho em que se perdeu”. A ‘loucura’ é assim vista de forma poética, não agressiva, e nem necessariamente negativa: aproximando “loucura” e “sonho’’, o poeta pode estar sugerindo que a loucura é um estado fora do ordinário, do comum da vida, como é o estado do sonho. Sonhamos dormindo, ou mesmo acordados, quando imaginamos alguma coisa ou situação.

Essa loucura social se reveste na corrupção, violência, desemprego, discriminação, intolerância e, sobretudo, na falta de oportunidade para a grande maioria da população.

Neste contexto, falarei um pouco de uma triste história verídica de João (nome fictício), jovem de 19 anos, vindo do Pará com suas duas irmãs para encontrar dias melhores em nossa Manaus. Em pouco tempo, vítima de más companhias, envolveu-se com drogas, sendo por esse motivo expulso de casa por sua família. Com a ajuda do destino foi encaminhado à extinta Secretaria Municipal da Infância e Juventude-Seminf e incluído em um de seus projetos. Foi trabalhar em uma escola estadual, mas, infelizmente em pouco tempo foi acusado de furto de objetos pertencentes à escola, por esse motivo foi retirado do programa onde recebia um salário mínimo. Isso o levou as drogas mais uma vez, fora de casa passou a dormir na rua.

Ele em busca de ajuda procurou uma ajuda no serviço social da referida secretaria. Encontrou uma pessoa na qual falavam de seus segredos, seus sonhos e dificuldades que passava nas ruas de Manaus, teve outra oportunidade de voltar ao projeto. Mas, um secretário tinha o poder na secretaria não quis que ele voltasse e pediu que voltasse na outra semana, aquele dia marcaria profundamente a vida da assistente social. João chegou a sua mesa, mais abatido do que nunca: estava magro e sofrido. Ela conversou com ele e em um derradeiro instante, João solicitou uma passagem de volta ao Pará. Foi mais uma decepção a esmagar todas as suas esperanças. Indignou-se e não quis aguardar até a outra semana. Despediu-se dizendo que ‘’estava tudo bem’’ e partiu. Horas depois a assistente recebeu um telefonema dizendo que João havia se suicidado. Enforcou-se com um punho de rede, jogando todos seus sonhos fora.

Daí, tiramos a conclusão que são essas as contradições da nossa vida, e a loucura é uma conseqüências de atos que permitiram uma energia negativa, uma mágoa, uma perda de algo importante e principalmente a falta do apoio da família, o que é essencial para a formação do indivíduo, sabendo dividir o certo e o errado.

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