Revista Literária CNSA

Um olhar sobre da segunda metade da literatura do século XIX do alunos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Arquivo para a categoria “Resenhas”

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

Por Dione Coêlho

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como
saudosa lembrança estas memórias póstumas”

Machado apresenta uma história repleta de digressões e de maneira irreverente e irônica. O personagem principal, Brás, se mostra descompromissado com a sociedade e à medida que narra sua vida revela não só os motivos secretos de seu comportamento como também põe indiscretamente as hipocrisias e vaidades da sociedade.

     Impregnado de um pessimismo, característica machadiana, onde Brás Cubas vê a via como um campo de batalha e os homens como seres corruptos, hipócritas, egoístas e oportunistas, mesmo gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país, em um trecho da obra demonstra a visão amarga da existência, “não tive filhos, não transmiti nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.

     O autor expõe muitos problemas da sociedade da época, como característica romancista tem a parte psicológica dos personagens fazendo críticas à sociedade a partir dos comportamentos dos personagens. Alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas que existem até hoje em nosso país e inclusive em nossa cidade, como as contradições que ainda estão presentes.

 

 

“É o drama da irremediável tolice humana. São as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas, que tudo tentou e nada deixou. A vida moral e afetiva é superada pela existência biologicamente satisfeita, e as personagens se acomodam cinicamente ao erro.”

 

Curiosidades:

  • O romance marcou o início do Realismo no Brasil;
  • Considerado o primeiro romance moderno do Brasil;
  • Apresenta um defunto-autor que narra detalhes de seu velório;
  • Ganhou versão em HQ ;
  • A obra já teve três versões cinematográficas. A primeira, rodada em modo completamente experimental, dirigida por Fernando Cony Campos em 1967, chamava-se Viagem ao Fim do Mundo. A segunda, em 1985, já apresenta um caráter estético mais ousado e foi filmada por Julio Bressane, com Luiz Fernando Guimarães no papel de Brás Cubas. E em 2001, surgiu uma nova produção, embora tivesse sido filmada nos anos 90: essa terceira versão, Memórias Póstumas, foi mais fiel à obra, tendo sido dirigida por André Klotzel, com Reginaldo Faria atuando como Brás Cubas após os 60 anos até ser defunto e Petrônio Gontijo sendo Brás Cubas na sua juventude.
  • O livro também recebeu uma versão em paródia, Memórias Desmortas de Brás Cubas, de Pedro Vieira, no qual o emplastro transforma Brás Cubas em um zumbi.
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Resenha de Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato

Por Larissa Monteiro

Escrito em 1931, por Monteiro Lobato,
Reinações de Narizinho foi a obra no qual começou a história do Sítio do Picapau
Amarelo. Nele, foram apresentados todos os personagens que são famosos até
hoje. Narizinho, Emília, Pedrinho, Visconde, Rabicó, Quindin, Anastácia, o
Burro Falante e entre outros personagens.

O livro é composto por várias histórias,
aventuras da turma do Sítio. E são separadas por capítulos. Algumas contam com
a ‘participação’ de personagens já conhecidos na época, como Branca de Neve e
Cinderela.

Os
personagens principais são, uma avó, dona do sítio e sua neta Narizinho, no
sítio também vive a empregada Anastácia, da etnia negra. A partir daí, todos os
outros personagens são imaginários, ou seja, não são pessoas ‘normais’ como,
por exemplo, Visconde de Sabugosa, um sabugo de milho que ganha vida nas mãos
de Anastácia e também por ter os livros como dormitório. Há também o Marquês de
Rabicó, um porco que diz ser nobre para encantar Emília. Ela é uma boneca de
pano feita por Anastácia. Narizinho é a sua companheira, a leva para todos os
lugares inclusive para o riacho do sítio, onde conhece um habitante das águas,
Príncipe das Águas Claras. Apaixonado, propõe Narizinho em casamento. Após um
tempo, Narizinho decide aceitar e leva consigo Emília. Então, pede para o
Príncipe leva-la para o médico das águas claras, Dr. Caramujo. Após dar pílulas
para Emília, a boneca começa a falar, ou seja, ganhou vida.


também outro personagem ‘humano’. Ele se chama Pedrinho, neto que não mora no
sítio e vai nas férias visitar a avó e se aventurar, já que na cidade há muita
modernização e a imaginação não é cultivada.

Além
dessa, também há outras aventuras, umas só voltadas para Pedrinho, por exemplo.

 

As
obras de Monteiro Lobato, apesar de serem voltadas ao público infantil, podem
agradar também pessoas de todas as idades.

A
realidade e a fantasia se misturam no livro, como a mente de uma criança,
imaginação sem fim, lugares que só são possíveis de chegar através da
imaginação. E esses lugares, esses personagens imaginários são levados pro
papel, com histórias e aventuras diferentes enfatizando também o folclore
brasileiro, alguns inclusive lembrando os do amazonas, como o Saci.

 

Pela
Rede Globo, foram produzidas duas versão do episódio Reinações de Narizinho, a
primeira em 1982, tendo como Narizinho interpretada por Daniele Rodrigues e
Emília por Reny de Oliveira.

A segunda
versão foi em 2001, Narizinho interpretada por Lara Rodrigues e Emília por
Isabelle Drummond.

Resenha de Clara dos Anjos de Lima Barrteto

Por REJINA DE SOUZA ABTIBOL

O romance Claro dos Anjos é uma denuncia áspera do preconceito racial e social, vivenciado por uma
jovem mulher do subúrbio carioca.

O grande historiador
e critico literário Sergio Buarque de Holanda, já apontava, escrevendo sobre
Clara dos Anjos, que é muito difícil “escrever sobre os livros de Lima Barreto
sem incorrer um pouco no pecado do biografismo”. Poucos escritores brasileiros foram
tão obsessivos na investigação da temática do preconceito quanto Lima Barreto.
A questão do preconceito contra a mestiçagem, já denunciada na obra de Aluísio
de Azevedo, será fundamental no pensamento nacional entre a implantação do
Naturalismo e a do Modernismo, em 1922, ano da morte de Lima Barreto.

O autor de Clara dos
Anjos seria o escritor que mais sentiria na pele o preconceito e o retrataria
com tintas mais ácidas na nossa literatura. É ainda Sergio Buarque de Holanda
que melhor resume como essa temática se apresenta em Clara dos Anjos.

Clara dos Anjos é um
livro póstumo de escritor brasileiro Lima Barreto, pertencente ao
pré-modernismo brasileiro. Concluído em 1922, ano da morte do autor, foi
publicado em 1948.

A história é contada
no subúrbio do Rio de Janeiro, Clara dos Anjos, filha do carteiro Joaquim dos
Anjos, é uma mulata muito bem educada por bons valores ao lado de sua família,
mas um dia se apaixona pelo malandro Cassi Jones, um jovem ignorante. Devido a
suas varias aventuras, o pai de Cassi não fala mais com ele, por causa de seus
abusos ás várias donzelas e fins de vários casamentos. A mãe de uma das vítimas
se suicidou, e o marido que ela arranjou distribuiu um dossiê sobre Cassi por
toda a cidade.

Clara engravida e
Cassi Jones desaparece. Convencida pela vizinha, dona Margarida, que procurara
na tentativa de conseguir um empréstimo e fazer um aborto, ela confessa o que
esta acontecendo à sua mãe . Na qual é levada a procurar a família de Cassi e
pedir “reparação do dano”. A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se
profundamente ofendida porque uma negra quer se casar com seu filho. Clara
“agora que tinha a noção exata da sua situação na sociedade.

Fora preciso ser
ofendida irremediavelmente nos seus melindres de solteira, ouvir os desaforos
da mãe do seu algoz, para se convencer de que ela não era uma moça como as
outras; era muito menos no conceito de todos.

E hoje em dia não
ocorre muito diferente também não, pode ter passado o tempo que for, mas em
algumas pessoas ainda prevalece muito a questão do preconceito de cor e classes
sociais, como veio falar a mãe de Cassi Jones, a única diferença é que hoje em
dia a justiça já pode ser tomadas providencias necessárias para esses tipos de
casos de preconceitos, por isso que já é mas controlados. Mas naquela época
não, havia sim muitos preconceitos e principalmente para com quem eram mulatos.

Geralmente esses
tipos de preconceitos já acontece desde do inicio ate mesmo de uma criação,
acontece muito no meio de crianças, influencias dos adultos, que em vez de
mostrar valores bons para seus filhos, os ensinos ate mesmo a não fica perto de
algumas crianças que não são de classes sociais ao seu nível ao seu padrão de
classe, e ate mesmo com crianças de cores diferentes(no caso mulatas).E isso
vai se criando e crescendo em uma pessoa, pois é desde pequenos que se forma os
maiores valores.

 

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